domingo, março 19, 2006

A MORTE da RURALIDADE


Enviado pelo amigo Murmurio, recebi este excelente post de Saady Roots, publicado no Blog com o mesmo nome em 18 Março 2006.

"Na última semana viram-se manifestações de agricultores em Portugal, nada de muito espectacular se pensarmos que a lavoura está morta em Portugal, assassinada pela Europa/PAC servindo os diversos governos desde a entrada na CEE de coveiros.A verdade é que não é o ministro que tem a culpa de nada neste momento, o ministro não passa de um fantoche ou fantasma, conforme queiramos. Os agricultores que se manifestaram querem que lhes sejam pagos os subsidios nem sei do quê, afinal, muitos deles, apenas vivem desses mesmos subsidios, como se de uma esmola se tratasse, mas estas são esmolas bem chorudas e apetecidas, por isso os agricultores fazem e têm vindo a fazer o jogo de bruxelas e a mendigar a dita cuja, o problema é que quando a "mama" acabar eles simplesmente deixam de existir conforme os conhecemos neste momento acabando de vez o sector produtivo a que chamamos neste momento agricultura.O problema da agricultura no Alentejo, por exemplo, é tambem o problema da desertificação do interior rural e a sua principal causa-efeito. Uma percentagem elevada da população rural vivia da agricultura, ligada á agricultura ou para a agricultura, empresários, propriétarios, mão de obra, serviços, bens de consumo próprios, tudo estava ligado de uma forma ou de outra á agricultura e isso acabou no espaço de muitos poucos anos, estando a actual crise do interior alentejano ligada directamente a esse factor.Saudosos tempos em que as aldeias e vilas do nosso interior floresciam estabilizadas pela alegria do trabalho campestre, sem mais preocupações gerações inteiras e sucessivas foram criadas nos montes do Alentejo, familias com vários filhos e filhas, as terras e o gado davam o sustento directa e indirectamente a centenas de milhar de alentejanos.Onde estão eeses tempos? Onde estão as familias numerosas? Onde está a agricultura do Alentejo? Os serviços? Tudo desapareceu, doi a alma ver dezenas de milhares de montes e lugares, outrora alegres e vivos onde viviam familias e brincavam crianças, completamente abandonados e a cair.O infame 25 de Abril e a reforma agrária deram a primeira machadada, a entrada na CEE acabou com o resto, neste momento 80% das terras Alentejanas estão ao abandono ou transformadas em reservas de caça, as aldeias e vilas atrofiam com a desertificação e emigração, a população actual é composta maioritariamente por idosos, os poucos jovens que existem pensam em "fugir" para as cidades, não existem alternativas de emprego e corremos o risco de ser um deserto, no verdadeiro significado da palavra, dentro de poucos anos.Portugal devia e podia produzir o que consome internamente, assim o estado queira.Por isto tudo Srs. Agricultores, manifestem-se, não por meia dúzia de tostões, mas sim pelo futuro do Alentejo e da lavoura em Portugal."

1 Comments:

At 10:36 da tarde, Anonymous Anónimo said...

Excelente análise da agricultura alentejana, todas as vertentes são aqui focadas, as boas, as menos boas e as más.

 

Publicar um comentário

<< Home